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Sobre escolhas, renúncias e a Barbie

O momento era de tensão, em frente à prateleira de bonecas da loja de brinquedos. Lá estava eu, optando entre a Barbie Estrela do Rock e a Barbie Noiva. A guitarra de uma era igualmente incrível ao vestido branco da outra. Se eu escolhesse a cantora, poderia fazer shows musicais, turnês pelo mundo, aparecer na TV e virar hit do momento. Mas se eu optasse pela noiva, andaria por aí feito princesa, teria um grande amor, iniciaria uma família e comeria um bolo de vários andares.

Eu sei, tudo não passava de uma brincadeira, mas na época era coisa séria. Apenas uma amostra do que estava por vir adiante: minhas dúvidas, meus impasses, minha indecisão, minha sina. Eu não ando cogitando virar estrela do rock, muito menos me casar. Mas digamos que cada vez que surgem dois caminhos, é difícil optar por qual percorrer. Pior é quando surgem três, quatro, cinco. A vontade é de voltar a ser criança. Mas aí lembro das Barbies e…

É, não adianta, sempre tive que fazer escolhas e continuará sendo assim. A diferença é o tamanho da consequência. Aliás, que palavrinha desagradável, hein?! Imagino logo algo sendo jogado em cima de mim enquanto um dedo me aponta a “cara” e uma voz estridente diz: “Te vira, essa foi a tua escolha”. Credo! Ok, fui um pouco exagerada. Mas enfim, não é fácil crescer, ter que escolher e se responsabilizar pelas opções sempre.

Os vinte e poucos anos é um período bem decisivo. Muita coisa que é feita agora vai definir o futuro. Ao mesmo tempo, ainda não se tem a experiência dos mais velhos. Então, acabamos fazendo nossas escolhas um tanto “às cegas”. Provavelmente, é agora que vamos cometer mais erros. Isso assusta um pouco. Mas esses deslizes (até certo nível) são necessários e reversíveis.

Acho que a indecisão revela uma certa dificuldade de se desapegar de uma coisa para se entregar a outra. Às vezes, simplesmente queremos tudo ao mesmo tempo. E em alguns casos, isso até é possível, mas em outros… Será que a Barbie conseguiria conciliar a carreira de estrela do Rock com o seu casamento com o Ken? Sei não. Mas uma coisa é certa (ao menos uma certeza nesse texto): melhor ter o poder de escolha do que ser submetido à uma só opção.

Só pra constar, escolhi a Barbie Estrela do Rock. Nunca me arrependi.

3 comentários sobre “Sobre escolhas, renúncias e a Barbie

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