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Amar também é saber se desapegar

Nessa última madrugada chuvosa, eu senti saudades, perdi o sono e decidi compartilhar uma história bastante pessoal sobre um homem que fez parte da minha vida por doze anos. Os doze primeiros. Dele, eu puxei os olhos (tanto azuis, quanto estrábicos), a baixa estatura, a vontade de ler, o gosto pela cerveja, a primeira sílaba do nome (Jo) e as palhaçadas. Ele me chamava de “mariquita” e eu o chamava de “papai”.

Foram doze anos que se passaram muito rápido. Quando vi, sem qualquer aviso prévio, ele teve que partir. Em setembro vai fazer dez anos que eu me despedi. A dor passou, é verdade. Mas até agora, a saudade é tão grande, que quando vejo uma foto do seu João Carlos feliz, brincando com algo, me emociono.

Não estou triste, acredite. Afinal, só sentimos saudades daqueles que nos fizeram felizes. Eu fui muito feliz com o meu pai e ainda sou, por ter tido a oportunidade de tê-lo na minha vida durante doze anos. Sei que ele está bem, continua evoluindo espiritualmente em outro plano. Também sei que na hora certa, vamos nos reencontrar e vou poder dar aquele abraço que venho guardando carinhosamente.

O fato de nos separarmos fisicamente foi difícil, inesperado, mas me ensinou bastante. Um grande aprendizado que adquiri é a dar valor para quem está junto comigo. Procuro aproveitar a vida com intensidade ao lado das pessoas que amo. Sempre tento fazer o melhor que posso, pois não se sabe o dia de amanhã.

Ao invés de conservar sentimentos de mágoa e tristeza, eu tenho escrito uma história feliz pra minha vida. Foi assim que, ao longo desses anos, aprendi outras duas lições: tudo passa e desapegar-se também é amar. Aquela dor que parece sem fim, uma hora termina. Isso acontece ao nos conscientizarmos que existe um momento para cada um seguir adiante. Quando chega a hora, é preciso deixar ir em paz. Essa é a maior prova de amor que se pode dar.

14 comentários sobre “Amar também é saber se desapegar

  1. Josinha, que Lindo e Verdadeiro o que escreveste , cada palavra vinda de teu coraçãozinho , mexeu muito com o meu .. Que Deus te Abençoe Sempreeee te amo de mais . Muita Luz em tua Vida ♥ Beijãozão ♥ ♥♥

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  2. Que texto bonito, moça!
    Bonito mesmo. Eu, felizmente, não perdi pai nem mãe. Perdi outros sobre quem eu falo com saudade e às vezes com um pouco de dor ainda. É bom ver como você consegue viver além de tudo isso, acreditando que a vida segue trazendo o melhor para você e para ele, lá no outro plano. O reencontro vai ser lindo!
    Um beijo no coração <3

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  3. Que texto incrível Jonara, sempre estou aqui lendo suas postagens, e essa me fez comentar…
    Já fazem 8 anos desde que minha vó se foi, a dor da perda continua, eu ainda não consegui desapegar, porque as últimas palavras dela fora ” quero ver a Talita, onde ela está…” e eu não estava lá…É muto doloroso quando lembro das palavras que o filho dela me disse, ainda não consegui encerrar esse capitulo da minha vida, não consigo desabafar mesmo sabendo que no momento certo vou poder vê-la, a dor ainda é forte.. enfim Jonara, me emocionei muito com sua história e parabéns pela sua superação, a dor de uma perda é inexplicável, mas supera-la e aceitar que tinha que ser assim é magnifico.
    Um beijo!

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    • Poxa, Talita, fiquei emocionada com o teu comentário! Eu te entendo, querida. Acho que é natural sentirmos que podíamos ter feito alguma coisa a mais, antes da pessoa partir. Eu tive esse sentimento também, porque no caso do meu pai, foi bastante rápido. Ele ficou doente e em menos de duas semanas faleceu. Eu não o visitei, enquanto ele estava no hospital e nem tive a oportunidade de entregar um cartão de dia dos pais que tinha comprado. Como era nova, a minha mãe achava melhor eu não ver ele numa situação ruim e esperávamos que logo ele voltasse pra casa. Enfim, senti muito isso por um longo tempo. Mas depois percebi que o que vale mesmo são todos os momentos bons que nós passamos juntos antes dele adoecer e todas as boas vibrações que mando para ele, seja onde estiver, saber que continuo o amando daqui. Não te culpa, Talita. Eu tenho certeza de que a tua avó entendeu que naquele momento tu não estava, mas que em pensamento e coração, tu estará com ela pra sempre. Obrigada pela visita e por compartilhar a tua história. Um beijão, querida! Fica bem! :)

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  4. Oi Jonara! Que lindo o seu texto! Fico feliz em saber que você teve a capacidade de superar todo esse sofrimento e “desapegar”. :) Linda a sua história… Serve para nós pensarmos melhor sobre nossa postura diante daqueles que amamos e, às vezes, nem temos tempo de dar atenção e demonstrar todo esse sentimento.

    Um beijo

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  5. Eu não passei por isso, mas meu namorado passou e só de ver como ele ainda se sente mesmo depois de todos os anos parte meu coração. Mas que bom que você consegue pensar não só na perda, mas no ganho que você teve enquanto ele estava ao seu lado. Um beijo! <3

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    • Oii, Tatiana! Eu imagino a dor dele, é bem difícil de superar mesmo. Se tu acha que pode ajudar, tenta conversar com ele sobre o lado bom da situação, as coisas boas que ele viveu com essa pessoa e a necessidade de deixar que se vá em paz. A vida é isso, né. Não tem como saber quando vamos ter que partir… Obrigada pela visita!! Um beijão!

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